Editorial

O Programa Espacial Brasileiro consiste em uma série de atividades, relacionadas ao espaço extraterrestre, de cunho científico e tecnológico, realizadas por profissionais da área espacial. A importância dele está relacionada a fatores sociais, culturais e econômicos.

São vários os benefícios que vêm em consequência desse programa. Entre eles, estão a valorização da nação brasileira e os avanços científicos e tecnológicos, que podem favorecer, futuramente, pesquisas e estudos mundiais. Não obstante, o Programa, atualmente, vem sofrendo com a escassez de recursos, assunto que será tratado no menu "Problemática".

O Brasil ganhou destaque na produção de satélites e possui sucessos em lançamentos de veículos, embora tenha sido marcado por um grave acidente em Alcântara (ver menu correspondente). Além disso, um dos maiores astronautas, Marcos Pontes, é de nacionalidade brasileira (ver menu Astronautas).

Com toda certeza, de acordo com os resultados do passado, se forem feitos investimentos em quantia suficiente, o Brasil tem chances de se tornar uma potência no ramo espacial, assim como os Estados Unidos e outros países.

Vitor Rodrigues Greati, estudante.

Acidente de Alcântara

No Centro de Alcântara, às 13h:30 do dia 22 de agosto de 2003, o foguete VLS-1 explode, terminando por causar a morte de 21 pessoas, entre as quais estavam engenheiros e técnicos da IAE.

O objetivo da missão, denominada Operação São Luís, era colocar o satélite meteorológico Satec, do Inpe, e o nanosatélite Unosat, da Universidade do Norte do Paraná, em órbita circular equatorial a 750 km de altitude.

Conforme investigações, o acidente aconteceu devido a uma ignição prematura de um dos motores do foguete, gerada por uma centelha elétrica.

Astronautas

Consoante o site Wikipédia, "um astronauta ou cosmonauta é uma pessoa treinada para realizar viagens espaciais, seja para comandar, pilotar, ou servir como membro da tripulação de uma nave espacial." Sabe-se que, até junho de 2008, 482 pessoas de 39 países atingiram a marca dos 100 Km de altitude e 24 das mesmas chegaram perto ou chegaram à superfície lunar.

No Brasil, Marcos Pontes foi o primeiro astronauta. Ele participou como tripulante da Missão Centenário, que foi uma homenagem ao 14 bis de Santos Dumont e levou oito experimentos brasileiros para execução em ambiente de microgravidade. Hoje, ele vive em Houston e diz estar à disposição do Programa Espacial Brasileiro para qualquer futura missão que possa vir a ocorrer.

Centros de Lançamento

Os Centros de Lançamento são imprescindíveis para as atividades espaciais. Eles ajudam desde o lançamento de veículos até o rastreamento de engenhos espaciais.

Antes do lançamento de algum mecanismo, os Centros devem estabelecer procedimentos, coordenar atividades de preparação e lançamento, realizar cálculos da trajetória e dos pontos de impactos dos estágios do veículo e avaliar condições críticas para uma teledestruição.

Depois de uma decolagem, cabe aos centros coletar e processar informações da viagem, avaliar as condições de segurança de voo e, caso precise, teledestruir o veículo e acompanhar a trajetória até atingir o ponto de injeção em órbita ou solo.

Centros de Lançamento Brasileiros

Centro de Lançamento de Alcântara (CLA)

O CLA está localizado a 2 graus e 18 minutos ao sul da linha do Equador. Isso dá a ele diversas vantagens, como o lançamento de veículos e satélites potentes em todos os tipos de órbita e economia de até 30% em combustível. Além disso, devido ao clima, aos ventos e ao regime de chuvas, foguetes podem ser lançados em qualquer época do ano.

Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI)

O CLBI tem o objetivo de lançar e rastrear foguetes, além de colher e processar dados dos equipamentos. Foi nele que aconteceu um fato importantíssimo para a atividade espacial brasileira: o lançamento do foguete americano Nike-Apache, que foi o primeiro engenho lançado de terras brasileiras.

Atualmente, o centro exerce diversas funções, como o lançamento de veículos espaciais para a meteorologia e de foguetes de alta performance da classe Castor-Lance.

Foguetes espaciais

Os foguetes são veículos capazes de enviar ao espaço diversos instrumentos, como, por exemplo, sondas interplanetárias e satélites. O desenvolvimento de tais mecanismos concede autonomia para o acesso ao espaço ao país. O Brasil conseguiu construir uma série de foguetes que ajudaram, e ainda ajudam, nos estudos e experiências espaciais.

O primeiro lançamento nacional foi realizado no Campo de Lançamento de Foguetes da Barreira do Inferno (CLBI), em 1965, com o voo inaugural do foguete Sonda I. Após esta, várias produções brasileiras foram realizadas e, com o envolvimento cada vez mais forte das universidades e centros de pesquisa, o trabalho de construção continua.


Alguns foguetes brasileiros

Sonda I


Foi desenvolvido para ser usado em estudos da alta atmosfera e para transportar cargas meteorológicas de 4,5 Kg a 70 Km.



Sonda II

Surgiu como uma evolução do Sonda I, com mais recursos tecnológicos, como novas proteções térmicas, eletrônica modernizada e novos propelentes. Teve como função o transporte de cargas-úteis de 20 Kg e 70 Kg, a uma altura de 50 Km a 1000 Km.


Sonda III

Este foguete é capaz de transportar cargas-úteis científicas e tecnológicas de 50 Kg a 150 Kg para serem utilizadas a uma distância de 200 Km a 650 Km. Ele fio o primeiro a receber sistemas de instrumentação completos, de separação de estágios, de ignição para o segundo estágio, de recuperação da carga no mar, entre outros.

Sonda IV

O Sonda IV foi usado, assim como seus antecedentes, para o transporte de cargas-úteis científicas e tecnológicas de 300 Kg a 500 Kg, para atividades a uma altitude de 700 Km a 1000 Km. Ele foi equipado com propulsores carregados com propelente sólido, além de outros recursos.


VSB-30

Este veículo foi criado para contribuir com experiências científicas e tecnológicas, acentuando o avanço científico. Ele é uma versão melhorada do VS-30, pois lhe foi incorporado um estágio para aumentar a capacidade de cargas-úteis e tempo de microgravidade.


VS-40

O VS-40 pode realizar missões com cargas-úteis de até 500 Kg em trajetos de 650 Km de apogeu. Foi criado com o intuito de realizar um teste do quarto estágio do VLS em ambiente de vácuo.



VLS

O Veículo Lançador de Satélites está em fase de qualificação em voo e é o principal projeto completamente nacional na categoria dos lançadores de satélites. Ele é capaz de pôr satélites de 100 Kg a 300 Kg em órbita circular de 250 Km a 1000 Km de altitude.

Satélites


Os satélites são mecanismos colocados nas órbitas de alguns corpos celestes para desempenharem diversas funções, dentre as quais: permitir as telecomunicações e estudos meteorológicos, realizar a fotografia da Terra, coletar informações relevantes de regiões remotas, permitir axatidão no posicionamento global, além de serem usados para fins militares.

Desde o início do programa espacial brasileiro, vários satélites foram desenvolvidos. Entre os primeiros, se encontram os SCD-1 e 2, lançados, respectivamente, nos anos de 1993 e 1998; e o Cbers, que foi resultado da cooperação chinesa e teve como objetivo fotografar a Terra.

O Inpe, instituto responsável por executar os projetos espaciais, está desenvolvendo mais três satélites: o Amazônia-1, cujo objetivo é o imageamento da região amazônica; o Sabia-mar, o qual foi desenvolvido com a ajuda da Argentina; e o GPM-Brasil, que visa estudos meteorológicos.

Alguns satélites brasileiros

Satélite de Coleta de Dados (SCD)

Do Brasil, foram lançados dois satélites coleta de dados, um em 1993 - SCD-1 - e outro em 1998 - SCD-2. Esses satélites possibilitam o conhecimento do nível e da qualidade da água nos rios e represas, da quantidade de precipitações, da pressão atmosférica, da temperatura do ar e da intensidade da rediação solar.

Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers)

Surgido em 1988, o Programa Cbers foi o resultado de uma parceria em China e Brasil, a qual tinha como objetivo a construção de satélites para o mapeamento dos dois colossais territórios. As imagens obtidas pela família de satélites Cbers são fundamentais para o controle do desmatamento e das queimadas na Amazônia, para o monitoramento dos recursos hídricos, para prognósticos de crescimento urbano e de ocupação territorial, e outros.

Satélite Amazônia-1

O Amazônia-1 está sendo desenvolvido pelo Inpe e terá a função de observar as atividades da região amazônica, a fim de obter informações sobre o desmatamento, queimadas etc.



Satélite GPM-Brasil

Esse satéite está sendo estudado pelo Inpe e será usado para a obtenção de informações acerca das precipitações na atmosfera. Ele será um dos componentes do Programa GPM (Global Precipitation Measure), que é liderado pelo Japão e pelos Estados Unidos.

Satélite SARA

O SARA está sendo desenvolvido com o intuito de fornecer ambientes de microgravidade. Feito isso, ele voltará à Terra.






Problemática


"O país tem aptidão para a conquista do espaço e pode pagar caro no futuro se não aumentar os investimentos."

Embora o espaço possa trazer todo um desenvolvimento para o país, já que este se encontra em condições fortemente favoráveis para a prática de atividades espaciais, o programa espacial vem sofrendo com os cortes de orçamento. Para se ter uma idéia, a NASA teve um orçamento de 15 bilhões de dólares para o ano de 2004, enquanto o Brasil, de 2000 a 2003, recebeu 500 milhões de reais em recursos públicos. Com tamanho desinteresse, o Brasil está deixando diversos benefícios de lado, como, por exemplo, a melhor fiscalização das fronteiras do país, o controle do desmatamento da Amazônia, oferta de educação à distância e muitos, mas muitos outros.

História

Em 1961, pouco antes da tão polêmica ida do homem americano à Lua, houve a criação da Missão Espacial Brasileira (MEB), que acabou culminando com surgimento do Programa Espacial Brasileiro.

Quatro anos depois, é inaugurada a Barreira do Inferno, em Natal/RN, que, naquele mesmo ano, serviu de local de lançamento do primeiro foguete de sondagem a partir do território brasileiro. Nike Apache, nome do tal foguete, era de fabricação americana e tinha como objetivo a coleta de informações para estudos sobre a ionosfera. Em sequência, outros foguetes, além de vários satélites, foram lançados, como, por exemplo, os Sondas I, II e III.

No ano de 1971, é criada a Instituição Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com o objetivo de “produzir ciência e tecnologia nas áreas espacial e do ambiente terrestre e oferecer produtos e serviços singulares em benefício do Brasil.” Mais tarde, nos anos de 1985 e 1987, respectivamente, foram criados o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que iniciou suas atividades com o lançamento do foguete Sonda-2; e o Laboratório de Integração de Testes (LIT). Em 1994, surge a Agência Espacial Brasileira, para formular e coordenar a política espacial brasileira.

China e Brasil mantiveram alguns acordos que foram importantes para o desenvolvimento da área espacial de ambos os países. O primeiro foi em 1988 e tinha por objetivo a construção dos satélites sino-brasileiro de recursos terrestres. O segundo foi em 2002 e foi criado para que fossem desenvolvidos os satélites Cbers-3 e 4. E, por fim, em 2003, ocorre o terceiro, que foi um Tratado entre Brasil e Ucrânia sobre a cooperação do Veículo Lançador Cyclone-4.